Comentário iMOOC

Olá a tod@s,

O que refletir sobre a segunda semana do iMOOC Competências Digitais para Professores?

Quando pensamos no advento da Internet várias são as questões que se levantam e que surgem a ela associadas.

Vivemos num dilúvio de informações e deixou de ser possível medir toda a informação disponível na rede (Lévy, 1999). Sabemos que nesta infoxicação é-nos exigida a responsabilidade de pesquisa, seleção e partilha. Somos os responsáveis e somos autónomos na pesquisa e na seriação da informação e automaticamente devemos desenvolver um conjunto de competências que nos ajudem a avaliar essa informação e a regular a veracidade e a autenticidade da mesma.

A verdade é que estamos cada vez mais próximos e mais informados, mas resultará desta facilidade alguma estagnação de pensamento?

Não nos parece uma realidade, antes vivemos uma agitação de mentalidades, uma revolução de mentalidades, que todos envolve e engloba, redesenhando as relações sociais e transformando a sociedade em que vivemos.

Vivemos um mundo novo, um mundo que já não pode voltar atrás, um mundo que jamais poderá viver como viveu até aqui.

Esta sociedade em rede em que vivemos, promotora da cibercultura, caminha a um destino mais amplo e mais abrangente, que democratiza o conhecimento e promove a comunicação e a interação entre as pessoas, sem limites de tempo e de espaço.

Se quiséssemos pensar noutro momento semelhante na História, talvez algo semelhante poder-se-ia encontrar no século XV, com a Expansão Marítima, com o alargamento do mundo, mas os limites são agora alargados numa dimensão incalculável.

As comunidades virtuais permitem o acesso a um conjunto infinito de informações, que se renovam constantemente.

Esta sociedade em rede, altamente tecnológica e digital, passou a revolucionar também a aprendizagem.

Tencologias, usar ou não usar já não é a questão…antes como usá-las deve ser a reflexão!

A escola deixou de ser a entidade detentora do conhecimento e a Internet a dominadora deste ciberespaço e geradora desta geração de homo habilis, de seres nativos/residentes na rede.

Assim, não podemos deixar de refletir sobre as questões de plágio.

Quantos de nós não tivemos já alunos que, por esta ou aquela razão, nos apresentaram trabalhos que são autênticas cópias dos aliciantes trabalhos já elaborados e tão fáceis de serem plagiados?

A criatividade, apesar de positiva e produtora, muitas vezes é encarada como fonte de árduo trabalho, acabando por ser a via mais fácil aquela que se apresenta já criada, ainda que por outro, mas que por momentos muitos acham que podem ser deles. Assim, devemos incutir valores de preservação da informação, explicando aos nossos alunos os motivos da negatividade do ato de plagiar. É necessário, portanto, muni-los de competências e ferramentas para que consigam produzir informação autêntica, de forma a estimular o seu espírito crítico e a desenvolver este ou aquele tema.

Contudo, sempre que necessário, a informação de outrém pode, e deve, fundamentar a nossa. Surge assim a técnica de citação, que, ao referir o autor do texto e/ou ideia, previne e evita o plágio. Devemos assim estimular e treinar os mais jovens para esta técnica de modo a evitarmos o cheating. Nós próprios, enquanto educadores, devemos recorrer a essas técnicas, assumindo-nos como exemplo significativo para essa aprendizagem.

Relembro, neste contexto, várias situações enquanto professor de História.

Como tento evitar?

Sempre que solicitei trabalhos de pesquisa, para além de orientar a atividade, guiei os alunos nas fontes de pesquisa, estimulando, mais do que um tema livre, uma reflexão crítica sobre este ou aquele documento, indicando a penalização do plágio e incitando às técnicas de citação/referência.

Desta forma, plagiar ou não plagiar não é a questão, até porque, no futuro, os nossos alunos não poderão simular trabalhos reais, nem vidas paralelas. Com essa compreensão, e com a consciência de que plagiar é um ato criminoso, todos devemos incitar à criatividade e à produção, pois essas serão as linhas de honestidade que orientarão a própria vida daqueles que orientamos e educamos.

@té já!

Bibliografia:

Lévy, P. (1999). Cibercultura. São Paulo: Editora 34.